Era um domingo de chuva e fila no açougue. Uma senhora, dessas que carregam sabedoria nos olhos e três sacolas na mão, virou para mim e disse, olhando para o contrafilé:
“Tá caro, né? Mas a gente dá um jeito.”
Essa frase ficou comigo. Mais do que um comentário casual, era quase uma filosofia de vida. Porque a verdade é essa: quem ganha pouco aprende a fazer mágica. Ou quebra no meio tentando.
Mas e você? Já tentou fazer render um salário mínimo até o dia 30… e falhou espetacularmente no dia 12?
Pois é. Vamos conversar sobre isso. Mas não com fórmulas batidas ou conselhos robóticos de planilhas impecáveis (que, sejamos honestos, ninguém preenche até o fim do mês). Vamos falar de estratégias reais, práticas, mas também humanas. Porque economizar dinheiro ganhando pouco não é só um exercício financeiro. É uma coreografia delicada entre sobrevivência e dignidade.
O problema não é só o quanto você ganha
Economizar é fácil, dizem. Basta gastar menos do que se ganha.
Genial, não? (uma salva de palmas para o óbvio).
Mas aqui vai o insight menos popular da semana: o desafio real não é o dinheiro que entra. É o sistema que te cerca, o preço da dignidade e o custo emocional de viver apertado.
Pagar aluguel, comer minimamente bem, ter algum lazer (porque ninguém sobrevive só de boletos), tudo isso custa. Não só em reais, mas em saúde mental.
Então antes de começarmos, um lembrete necessário: você não é incompetente porque está endividado.
Você está vivo. Num país desigual. Num tempo difícil.
Agora, sim. Vamos aos atalhos, porque truques mágicos não existem, mas atalhos engenhosos? Ah, esses sim.
1. A real arte da renúncia seletiva
Não, você não precisa cortar o cafezinho (aliás, às vezes ele é o que te impede de surtar).
Mas precisa cortar o que não te serve, mesmo que todo mundo diga que “vale a pena”.
Um exemplo?
Assinaturas invisíveis.
Aquela avalanche de serviços que você mal usa: streaming, aplicativo de meditação que só abriu uma vez, caixa de snacks saudáveis (que viraram decoração na despensa).
(Eu mesmo já paguei dois meses de uma plataforma de yoga só pra dizer que tinha intenção de começar.)
Dica prática:
Uma vez por mês, abra seu extrato como quem faz faxina em armário. E pergunte: isso ainda me serve?
Se não, corte. Sem culpa. Sem apego.
2. Autossabotagem custa caro (e ninguém fala disso)
Você já gastou dinheiro só pra aliviar a ansiedade de não ter dinheiro?
(Ah, o ciclo do auto-boicote financeiro. Uma beleza.)
Às vezes, compramos o que não precisamos pra fingir que tá tudo bem. Um delivery no fim do mês. Um tênis novo “porque mereço”. Um agrado que vira boleto.
Não estou dizendo pra virar monge.
Mas aprendi, na marra, que consumir como anestesia sai mais caro que terapia.
Então aqui vai um micro-hábito de ouro:
Antes de comprar qualquer coisa não essencial, espere 48 horas.
Se ainda fizer sentido depois disso, compre sem culpa.
Mas 80% das vezes… vai passar.
3. Economizar também é aprender a dizer “não” (e isso dói)
“Vamos naquela vaquinha pro presente do colega?”
“Topa aquele rodízio hoje?”
“Tem que ir arrumado, né? É casamento da prima.”
Cada uma dessas frases é um teste.
Porque economizar, de verdade, exige uma habilidade que ninguém ensina na escola: frustrar os outros (sem se sentir um monstro).
Às vezes, você vai parecer “pão-duro”.
Outras, “antissocial”.
Mas sabe o que você vai parecer também? No controle da própria vida.
(Confesso que ainda me dói dizer “não posso gastar com isso agora”. Mas dói menos do que entrar no cheque especial.)
4. Criatividade é a nova moeda
Quem ganha pouco precisa ser inventor.
De cardápio. De presente. De rota de ônibus.
Uma amiga minha, por exemplo, montou uma rede de trocas com outras mães: roupas, brinquedos, fraldas. Cada uma traz o que não usa mais e leva o que precisa. Simples. Genial. Humano.
Já outro colega começou a oferecer bolos no prédio, só aos finais de semana. Com R$ 50 de ingredientes, fez R$ 280 em dois dias.
Economizar, às vezes, é também criar novas formas de ganhar.
(Claro, cansa. É injusto. Mas enquanto o mundo ideal não chega… adaptamos.)
5. E quando não dá mesmo?
Tem dias em que nenhuma dica serve.
O gás acaba. A conta estoura. O desespero bate.
Nessas horas, esqueça conselhos.
Apenas respire.
E se puder, peça ajuda. Emocional, prática, financeira.
Pedir ajuda não é falhar, é saber a hora de não carregar o mundo sozinho.
Uma coisa que quase ninguém fala:
Muitas decisões financeiras ruins nascem do cansaço.
Não de ignorância. Nem de irresponsabilidade.
Mas de exaustão.
Então cuide de si. Durma. Converse. Tome banho quente.
Seu cérebro toma melhores decisões quando você não está em colapso.
Talvez economizar não seja o verbo certo
Quem ganha pouco não economiza. Sobrevive com estilo.
Faz do improviso uma arte. Da escassez, uma escola. Da renúncia, uma espécie de resistência.
E talvez seja aí que esteja o maior segredo:
Não se trata apenas de cortar gastos.
Trata-se de preservar o que importa.
Amizades que não cobram couvert artístico.
Comidas simples que aquecem mais que delivery gourmet.
Rituais pequenos de autocuidado que não custam nada, mas te lembram quem você é.
Agora, pensando bem…
Será que a gente economiza dinheiro ou inventa novas formas de dignidade?
(Deixo essa no ar. Mas se quiser conversar sobre ela…
a fila do açougue continua lá. E eu também.)
PS: Se você leu até aqui, talvez esteja cansado de textos motivacionais que ignoram a realidade.
Eu também!
Mas ainda acredito que, entre boletos e estratégias, existe espaço pra respiro.
E às vezes, é desse respiro que nasce a revolução.
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